Tapa na cara!

tapa

 

Durante a semana TUNHÃO estava inquieto, ele ficava assim toda vez que precisava resolver algum problema, não falava nada e estava monossilábico nas respostas, era um sábado de céu estrelado e temperatura agradável, estávamos no “ponto certo” quando o Primo da Lua estacionou a Kombi e desceu com o TUNHÃO.

– Tô indo prum rolê diferente com o Primo, vamos?

Eu percebi que havia um código no convite e na troca de olhares, apesar de ter sido aceito no grupo eu ainda era o mascote e não tinha muita convivência com eles, às vezes era preciso me explicar o que estava acontecendo.

-Agora? – perguntou o Primo Cabelo

TUNHÃO apenas olhou para ele e respondeu:

– Já! É agora ou agora!

Subimos todos na komboza do Primo da Lua, Nêgo-boy e eu no fundo, Primo Preto e Primo Cabelo no meio, TUNHÃO e o Primo da Lua na frente, numa certa altura do caminho (acho que estávamos passando pelo Center norte) o Primo Cabelo perguntou:

– Para onde estamos indo?

Então TUNHÃO explicou o que estava acontecendo:

– É o seguinte Primo, estamos indo para madaloca, “trocar uma idéia” com o ex-namorado da Guta, ele pisou na bola e ela ficou muito mal e tu sabes que a Lua, a Claudia e ela são quase irmãs, essa semana eu fui a casa delas (a Claudia e a Guta moravam juntas) e a Guta estava muito mal.

Então eu pude entender o receio do Primo Cabelo, ele era um cara muito legal, muito inteligente, mas era todo certinho, cheio de precauções, para dizer a verdade ele era meio cagalhão.

-Então é treta? – perguntou o Primo Preto

– Não tem treta nenhuma eu vou apenas trocar uma idéia com o cara e vocês não precisam se envolver, eu só não sei se ele está só e no caso alguém se intrometer vocês seguram a onda, beleza?

-Beleza! Só trocar uma idéia então?

-Só, vocês nem precisam descer do carro.

Paramos em frente ao boteco, acho que era na Rua Purpurina, a Vila Madalena hoje é um bairro bem diferente da década de oitenta e quando eu disse boteco é porque era um boteco mesmo a única diferença é que o boteco era lotado de pseudo-intelectuais e bichos-grilo da redondeza.

TUNHÃO desceu do carro e eu ainda pude vê-lo indo na direção daquela figura, um cara cabeludo, barbudo, com aquelas sandálias tipo franciscano e uma camiseta vermelha do PT, fiquei me perguntando (na fração de segundos, antes do TUNHÃO abordar o meliante) como aquela Deusa platinada poderia ficar com um tipo daqueles?

TUNHÃO não trocou idéia nenhuma e o riso foi geral quando ele deu um tapa, é tapa mesmo, não foi porrada, não foi chute e nem gravata, foi um tapa, aliás, foi “o tapa”, acertou a cara em cheio e aquela figura rodopiou até o meio da calçada, quando alguns conhecidos do meliante se aproximaram para separar, nós descemos do carro e o Nêgo-boy gritou:

-Ninguém entra isso é assunto dos dois. – todos congelaram.

Aquele tipo levantou-se rapidamente e foi na direção do TUNHÃO que, esquivou-se agilmente e emendou outro tapa na cara, aquele ser desprezível era muito branco e estava com o rosto muito vermelho, achei muito engraçado nunca tinha visto briga assim, o TUNHÃO estava muito calmo e sorria enquanto brigava…op’s, eu disse brigava? Enquanto esbofeteava o meliante.

Terceiro, quarto, quinto tapa, toda vez que ele levantava tomava uma bifa na fuça, a situação já beirava o patético e TUNHÃO não parava, o sangue escorria pelas narinas daquele ser asqueroso quando ele desistiu e permaneceu de joelhos e de repente começou a chorar e pedir desculpas, ele bem que tentou levantar mais uma vez para desculpar-se, mas o TUNHÃO não deu chance desferindo uma bifa daquelas e disse:

-Fica aí canalha! Lugar de mau-caráter é no chão, se eu souber que você olhou pra Guta de novo eu volto, entendeu?

Entre soluços ele respondeu:

-Sim senhor.

Entramos no carro e na saída pude ver aquele paspalhão ajoelhado na calçada e chorando feito criança. TUNHÃO disse apenas;

-O melhor remédio para gente deste tipo é tapa na cara, não tem nada mais dolorido que a dor da humilhação, Cabelo aperta esse que eu tô estressado…hahaha!

E assim voltamos para casa, no meio da névoa londrina, rindo muito e com uma história para contar aos netos, exceto a parte da névoa…rs

Clique e ouça a trilha sonora – Jards Macalé

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