Rogerio Santos no Teatro da Vila

São Paulo, 10/11/12.

Foi nessa data cabalistica que o poeta e compositor paulistano Rogerio Santos lançou o CD “Crônicas Paulistanas” no Teatro da Vila. Apesar da forte chuva  os amigos, fãs e apreciadores da boa música lotaram o espaço e puderam curtir o trabalho de Rogerio Santos.

Os músicos

No palco o som redondo e entrosado é produzido por músicos experientes e da mais alta competência. Floriano Villaça – Violão, Mariô Rebouças – Piano, Caio Góes – Baixo, Welington Moreira Pimpa – Bateria/Percussão, são a base (e que base!). Na metade do show Italo Peron – violão de 7 cordas e Fabio Peron – bandolin, juntam-se a banda, eles são a pitada de samba paulistano que tornam o som do “Crônicas Paulistanas” tão peculiar.

Participações especiais

A talentosa Luiza Albuquerques  interpretou “Prisma”

e Rita Maria “Pequeno conto”.

Preste atenção nesses nomes, creio que em breve ouviremos falar muito dessas duas interpretes.

O repertório

O show começa com “Soul da Cidade” um retrato cantado da maioria dos paulistanos. Em seguida uma das maiores declarações de amor feitas a “Freguesia do Ó”, que segundo Luca – italiano que já residiu na Freguesia do Ó  e  assistiu o show via internet – fez verter lágrimas de seus olhos.

Como todo paulistano que se o preza Rogerio Santos protesta em “Carro Anfíbio” contra as enchentes e os “insetos sem asinhas” que administram a paulicéia. Destaque para a grande sacada da pianista e musa Mariô Rebouças, que inseriu pitada de sarcasmo musical no arranjo. “Valsa Etérea” é uma  canção que merecia estar na trilha de um filme de amor, ponto.

Outra canção bela canção que deveria estar numa trilha de filme é “Poente” que segundo Rogerio Santos foi feita em homenagem a um amigo que fez a sua passagem precocemente. De porcelana é o amor – diz o bluesão – “No Ar”, enquanto isso o violonista  Floriano Villaça se diverte entre bends,
vibratos e pentatônicas.

E por falar diversão, “Nação Piratininga” composta no “idioma morto” guarani remete o ouvinte mais atento à vanguarda paulistana dos anos oitenta. “Torresmo na Madruga” outra crônica divertida que só quem é paulistano entende, com direito a ágio, busão noturno e torresmo.

“Pra descolar uma rã é preciso aprender engolir sapo”, enquanto Rogerio Santos canta os versos de “Samba do Brejo” o instrumental bem elaborado lembra em alguns momentos a banda metalurgia, mas acaba adquirindo personalidade com o acrescimo do bandolim de Fabio e o violão de 7 cordas de Italo. Grande sacada musical.

“Breque do Guioza” conta a saga de milhares de brasileiros radicados no Japão, muitos desses se apesar de sentir falta da “vida paulistana”, acabam se apaixonando pelo país do sol nascente.

“Enquanto pensas fato, no zapt da situação me cravo no teu coração”. E Rogerio Santos descreve bem o paulistano que não perde tempo, ele surfa no instrumental multicultural de “Beijo Torpedo”.

Se você chegou até aqui tenho certeza que vai correr para comprar o CD “Crônicas Paulistanas” de Rogerio Santos, um disco sincero, honesto, feito por paulistanos que amam sua cidade e que sabem traduzi-la em música.

O Projeto da Gravação do CD contou com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, através do ProAC. Eles sabem o que é bom!

Breque do Guioza

Crônicas Paulistanas

http://folhadecima.blogspot.jp/

http://www.myspace.com/rogerio.santos

Por DD

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