HARU

douglas_wakimoto

“Existem coisas piores que estar sozinho,
mas geralmente leva decadas para entender isso
e quase sempre quando você entende é tarde demais.
E não há nada pior que tarde demais.”

Charles Bukowski

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É CLARO que, bye bye!

Como perder um cliente

 

Por sugestão do DD, nosso eterno mentor e incentivador, conto um pouco meu drama com a minha atual operadora de telefonia móvel: Claro.

Sou cliente deles desde o tempo em que era BCP, os celulares só serviam para fazer ligações e pesavam cerca de 1Kg, isto é desde 01/05/98. Nesta época e por alguns anos eu morei no interior e precisava de um meio de comunicação eficiente e como sempre estava no meio da produção, na rua ou em alguma fazenda precisava que a telefonia móvel tivesse uma boa cobertura a opção era a Claro. Tive problemas com eles anteriormente? Inúmeros, desde uma falta crônica de sinal e ao ligar para a central ser avisada que estava tudo normal até a orientação de um atendente de que eu deveria retira a bateria do aparelho, com ele ligado, para a solução de algum problema de rede. Tudo bem, se no manual do aparelho não viesse expressamente escrito de que eu não deveria fazer isso. Ah! Sim, os aparelhos naquela época não se desmanchavam ao caírem no chão.

O que me prendia a eles, se nada era tão bom? Meu número. Sou apegada a ele, acho-o bonitinho e penso que não gravaria o outro, caso trocasse. Oh! Apareceu a portabilidade e a concorrência, não necessariamente nesta ordem. Toda vez em que pensava em trocar de operadora a Claro me prendia com o golpe da troca de plano e aparelhos ‘grátis’. Lá se iam mais 365 dias com a mesma operadora, porém nada era tão ruim: tenho 50.000 minutos para falar entre os 5 números da minha rede (1 mês tem 43.200 minutos, caso tenham a curiosidade de saber) e mais alguma outras vantagens.

 Com o término da faculdade e eu podendo estudar um pouco mais sobre minimalismo, redução de gastos domésticos, orçamento doméstico e etc pude ver o quão superdimensionado estava meu plano. Ao final de janeiro deste ano, me dirigi até a loja mais próxima e solicitei a revisão do meu plano, porém tive uma surpresa ao saber que, apesar de desfrutar de 5 linhas, eu pagava por 7 ou 8 linhas, pois quando das duas últimas trocas de planos, 2 últimos anos, portanto, o atendente não fez a baixa do plano que vinha usando e apenas inseriu o plano recém adquirido. Imediatamente solicitei o cancelamento dos planos anteriores (sim, eu tive de solicitar!) e a revisão das cobranças indevidas. O prazo dado para a revisão dos valores era de 5 dias úteis. Após 7 dias úteis entrei em contato. Deram-me novo prazo de dois dias úteis. Liguei após 4 dias úteis. Solicitaram novo prazo, rodei a baiana, subi nas tamancas e fui parar no supervisor do sei lá o quê que também não resolveu nada. Abri um chamado na Anatel relatando todo o ocorrido. Durante o carnaval o atendente da Claro me informa que eu minha solicitação fora atendida e que eles me devolveriam, em forma de desconto nas faturas seguintes, a cobrança indevida feita nos meses de 01/12; 12/11 e 11/11. OPA! Mas a cobrança é indevida a cerca de 24 meses! Recebo o absurdo de reposta de que se eu não reclamara anteriormente, não tinha direito a ressarcimento. Reabri o chamado na Anatel e recebi exatamente a mesma resposta padrão (informando do ressarcimento dos 3 últimos meses) dias antes de encerrar-se o prazo. Como eu estava às voltas com problemas de saúde na família (cachorros também são da família) perdi a chance de reabrir o chamado. Fiz uma nova reclamação na Anatel e parti para a loja da TIM, com quem eu já havia flertado.

Ainda dentro da loja, onde fui muito bem atendida, por sinal, recebi uma mensagem de texto da Claro pedindo que eu não mudasse de operadora. Na manhã seguinte um atendente me liga perguntando o motivo da minha mudança. Informei que era por conta desses problemas com a conta, o despreparo dos atendentes e, principalmente, a demora nos atendimentos. Já cheguei a ficar 3 horas para ser atendida num chat online e não consegui ser atendida. O atendente tentando me convencer de que eles mudaram todo o sistema “burrocrático” deles em apenas uma noite e de que tudo isso somente porque eu, uma cliente tão importante (cof) resolvera trocar de operadora. Faça-me rir! Ofereceu-me atendimento personalizado, exclusivo, 50% de desconto no valor do plano que eu escolher, torpedos gratuitos, internet gratuita e mais um monte de coisa que eu não uso e não tenho interesse em ter, na intenção de me convencer a continuar ali.

Ao informá-lo que não queria ter atendimento diferenciado somente porque resolvera trocar de fornecedor e sim, constantemente, pois foi assim que eu aprendi: cliente é cliente, seja ele há 15 anos ou 15 minutos. Recebo a resposta mais estapafúrdia possível: “Mas as outras operadoras também tem problemas!” Ótimo! Porque todos são ruins eu posso me nivelar por baixo e me calçar nisso! Olha, na verdade eu me contento com pouco: bastam informações sinceras, claras e objetivas.

 

Bye, bye Claro!

Mercado

-Ai, desculpa…
Em frações de segundos, que pareciam uma eternidade, lembrou-se dele indo embora, com as mãos no bolso sem olhar para trás. Ela permaneceu sentada no meio-fio, não chorou, mas sentiu uma lágrima, a primeira de um rio. Vinte anos em frações de segundos.
– Não acredito! É você mesmo Isabel?!?! – ele estava pasmado.
Ela demorou a responder, não conseguia raciocinar direito. Vinte anos depois, reencontrar o primeiro amor de sua vida, no mercado, cheia de compras, usando jeans e camiseta, numa TPM monstruosa, só poderia acontecer com ela. Ele continuava com aquela carinha de menino. Jeans, camiseta e tênis, claro que já era um quarentão grisalho, mas a aura do menino permaneceu.
– Marco! Quanto tempo! – foi a única coisa que ela conseguiu responder.
– Que coisa, hein? Já faz tempo, né?
– Vinte anos e dois meses. – foi categórica, era a única coisa que ela sabia com exatidão naquele momento.
Marco fez a menção de abraçá-la, ela instintivamente estendeu a mão. Ele percebeu, mas puxou-a para si, ele queria sentir o cheiro dela, queria sentir aquele corpo, mesmo que por segundos, mesmo que pela última vez.
Ela gostou, na verdade queria sentir aquele abraço, queria saber se a sensação era a mesma de vinte anos atrás e de repente o mundo parou, eles disseram tudo o que queriam na ternura e no silêncio daquele abraço.
-Que tal um café? – perguntou Marco
– Claro! Mas antes me ajude a guardar as compras. – respondeu sem pensar na casa, no marido e nos filhos.
Isabel estava na fase do “balanço”, descobriu que estava acostumada com o pai de seus filhos, aquela ferveção passional acabou logo após o nascimento do primogênito, casada há quase dezenove anos empurrava o casamento com a barriga por quase dezesseis, coisas que foram construídas em conjunto, filhos, conforto, família. O divórcio seria desperdício, então ela fingia que estava tudo bem e sonhava com o dia que pediria a separação.
Começaram a conversa com assuntos banais, mas depois das compras guardadas, o café servido, eles entenderam que era melhor ir direto ao assunto, sem rodeios, fazer como antigamente perguntas e respostas sem medo ou restrições. E aos poucos eles conversavam como há vinte anos.
– Marco, me fala de sobre você, o que você anda fazendo? Casou? Tem filhos?
– Falo sim, acabei de me separar, depois de quinze anos de casado percebi que eu nunca amei a mãe dos meus filhos, percebi que desde que a conheci ela usava uma máscara e que com o tempo essa máscara caiu. Certa vez fomos viajar com as crianças e ela começou a reclamar. Sabe aquele discurso pronto do Gasparetto? Aquele papo de anulação, patatí , patatá.
– Por que você está rindo? Perguntou Marco.
– Eu também já usei este discurso. Respondeu Isabel
– Tudo bem, acho que toda mulher usa, mas ouvir por trezentos quilômetros durante a ida e mais trezentos na volta haja paciência! Vai ser chata assim lá em Piracaia.
Os dois caíram na gargalhada.
-A verdade é que depois daquele dia comecei entender que já não conhecia mais aquela mulher, era outra pessoa, em todos os sentidos. – Isabel não conseguiu sentir uma ponta sequer de compaixão pela mulher de Marco.
-Ela andava infeliz e eu também, então um belo dia após uma discussão boba, mas boba mesmo, eu sugeri o divórcio e ela aceitou numa boa. – concluiu Marco.
-E você, como anda a vida? – perguntou curiosamente
Neste momento o coração de Isabel disparou, ela ficou aflita e estranhamente, após alguns segundos senti-se calma, afinal estava conversando com Marco, o grande amor de sua vida. Ela apenas olhou fixamente nos olhos de Marco e ele pode tirar as conclusões, o silêncio se fez presente por um tempo.
Marco segura a mão de Isabel e com os olhos vermelhos diz o que os dois sabiam desde o início, desde vinte anos atrás.
– Eu te amo como nunca amei ninguém em minha vida, você foi, é, e sempre será meu único amor e eu queria ter dito isto no instante que te vi.
Isabel desmoronou, aquele sentimento tão antigo parecia estourar em seu peito novamente, agora, mais que nunca, ela sabia que Marco era o seu grande e eterno amor.
– Te amo igual, não tem um dia em que eu não pense em você.
Refeitos, eles caminham juntos em direção ao estacionamento e foi ali que eles trocaram o beijo mais apaixonado de suas vidas, era inevitável, incontrolável, irracional, era apenas desejo, paixão. Se fosse possível escolher o momento da morte, os dois escolheriam este.
Trocaram os números de telefone, e-mail, prometeram que jamais se distanciariam novamente e que algum dia iriam morar juntos na praia brava, um antigo sonhos que os dois dividiam.
Depois deste dia, Isabel ficou mais bonita, mais feliz, ela estava apaixonada novamente. Marco encontrou um motivo para voltar a sonhar, as tardes ou manhãs que eles passavam juntos, amando, conversando, sonhando, valiam qualquer risco ou esforço, Marco nunca cobrou nada de Isabel, pois sabia que ela o amava, Isabel não via a hora do caçula terminar a faculdade, ela queria passar o resto de sua vida ao lado de Marco, na praia brava, caminhando ao entardecer com o seu único amor.

*por DD
Porque eu sei que é amor