Médicos… Bah!

 

 

Notas de esclarecimento pré-texto: este texto não é contra os médicos e tampouco insistirá para que você, leitor, deixe-os de lado.

Ontem, antes de dormir liguei a TV num canal qualquer que só passa notícias. A única notícia que gritou alto em meus ouvidos, cérebro e entranhas foi a de que o CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) proibiu que os médicos realizem partos em casa.

 Céus! Quem são eles para decidirem o que vai no corpo de uma gestante? Alguém se lembrou de perguntar aos protagonistas – mãe, bebê e, em alguns casos, familiares – o que eles querem?

 Estou decidida, há muito, não ter filhos. Mas, se amanhã ou depois eu mudar de decisão quero ter o direito de escolher, dentro das possibilidades existentes a que melhor se encaixa às minhas verdades, minhas crenças e, principalmente, ao que meu corpo clama. Desculpas de que o cordão está enrolado no pescoço, você não tem força, você é velha ou qualquer outra com certeza não serão aceitas facilmente. Como ando muito cansada para discutir e sei que uma gestante de 40 semanas (em média) terá menos força ainda para lutar, estas decisões acabam por me fazer adiar indefinidamente o plano maternidade.

 Ouvir é uma arte, e, não sei por qual motivo os médicos tem-se esquecido cada vez mais desta habilidade.

Ontem fui a uma consulta que estava marcada há 21 dias para tentar resolver um problema que me incomoda há cerca de 5 anos. Já devo ter consultado mais de 10 médicos diferentes tentando solucionar este problema. Todos, categoricamente, ao “ouvirem” minhas queixas afirmam ser um fungo comum, porém ao fazerem os exames, e não encontrarem o tal fungo ou ignoram minhas queixas ou simplesmente dão de ombros e me dizem que é meu e pronto. Quando marquei a consulta de ontem pensei que seria diferente, afinal o profissional consultado além da especialidade relacionada ao meu problema é homeopata. Homeopatas em geral ouvem os seus pacientes. Em geral. Relatei minha peregrinação nesses 5 anos e toda a particularidade da minha “doença”. Após exame visual o veredicto: é apenas uma alergia. Ok! Eu sou apenas uma administradora, mas convivo com meu corpo e minhas trocentas alergias (se bobear sou alérgica a mim) há 32 anos e sei que o problema que relatei não é uma alergia. Eu aceitaria até ouvir um “eu não sei qual é o seu problema, consulte outro colega da mesma especialidade ou procure esta, aquela e aquela outra especialidade”, mas ouvir chutes e qualquer resposta só para se livrar do paciente… não! Continuarei minha busca da resposta, enquanto isso vou estudando e analisando minhas reações a cada coisa que penso estar relacionado.

 Qual a semelhança entre os médicos que eu consultei (com exceção de um, que não atende mais a especialidade que necessito e que foi o único que me ouviu) e os demais que apóiam a decisão do CREMERJ? Tudo! Tornaram-se robóticos e mecânicos e acham que estão lidando com um equipamento quebrado, onde basta ler o código de erro e substituir a peça defeituosa.

Você pensa em ser médico? Comece desde já a exercer o ouvir, porque escutar é fácil. De nada adianta os 30 diplomas, especializações, atualizações e a sua formação básica na melhor escola de medicina do mundo se você não pensar de verdade naquele indivíduo que está sentado à sua frente.

Sobre Perdas

Estamos ao final do primeiro semestre de 2.012 e já aconteceu tanta coisa que me permito fazer um “balanço” de tudo.

Janeiro: entre o rescaldo das festas de fim de ano e de tanto chororô, os preparativos para minha formatura. Minha avó, mulher incrível, de 89 anos é internada por conta de seu câncer.

Fevereiro: a presença constante dos familiares, visitas ao hospital, preparativos para o baile de formatura, sou consolada por uma tia muito querida e uma bomba no dia seguinte: esta mesma tia sofre um AVC. O baile nem foi aquilo tudo e houve muitas ausências. Após 40 dias internada e sem poder comer, minha querida avó nos deixa, não sem antes ter despedido de cada um, ter deixado uma palavra, um ensinamento e uma lição de vida.

 

 

Eu entre os patriarcas desta família – Esta foi a foto escolhida para estar no telão do baile de formatura ilustrando a minha infância

Março: colação de grau, enfim bacharel de “verdade”.Assisto à luta de minhas primas e tio S. com a minha tia que sofreu o AVC.

Abril: continuo lutando para manter Negão, meu amado cão da “raça” Pakita (Pastor + Akita), comendo, agora que sabemos realmente sua doença:câncer de pâncreas com metástases. Tia M se vai definitivamente para o sítio, nosso ponto de encontro perde a referência.

 Maio: faço 32 anos. Dois dias depois Negão se vai em meus braços. Fly e Luna chegam, não sem antes deixarem suas marcas no carro do meu marido e este me demonstrar como o amor pode ser generoso. Aniversário do meu tio S. Minha tia demonstra querer melhorar.

Junho: a confirmação de que meu pai está bem. Kyra, cachorra daquelas minhas primas e tio que estão com minha tia com um lado paralisado por conta do AVC e uma depressão que sempre foi dela, é atacada pelo cachorro do vizinho e ‘ganha’ um corte de 40 pontos no pescoço e sabe-se lá quantos mais em sua pata. Santa veterinária do Negão foi acionada para combater uma infecção e assim, salvar Kyra. A depressão de minha tia parece se instalar de vez. Tia Li ataca de doceira novamente e prepara 500 e tantos beijinhos e brigadeiros, algumas tortinhas salgadas e mamãe da tia Li faz queijadinhas maravilhosas só para comemorar os 2 anos do anjinho.

Todas estas perdas eu enfrentei, aceitei e me conformei. A única que tenho vontade de gritar aos 4 ventos, chacoalhar ou ter o poder de dizer; “Me dá aqui que eu faço do meu jeito!” é com esta minha tia MH.

Mineira, mulher guerreira, lutadora, forte, criou 3 filhas maravilhosas, nunca negou esforço ou ajuda a ninguém, possui um companheiro de todas as lutas, à sua maneira, é verdade, mas é um bom companheiro, se deixar abater assim por um “simples” AVC. Essa sombra que habita este corpo não é minha tia que tanta força me deu um dia antes deste incidente. Levante, lute e nos alegre e, principalmente, tire esse fardo da sua família. O fardo a que me refiro, você bem sabe, não é o de tirar e pôr na cama ou cadeira de rodas, tampouco nas ajudas constantes e necessárias para o banho, vestir e demais atividades que nem nos damos conta. O fardo que está difícil de carregar e, que vejo, logo será deixado só para você, tia MH, é seu descaso com os profissionais que lhe ajudam, não reconhecer o esforço grande e a dor que sua filha enfrenta todos os dias ao ter a mãe e a sogra nesta situação, vítimas do AVC.

Se não por você, por todos que se dedicam dia-a-dia à sua recuperação pegue as rédeas desta situação e enfrente-a, me mostre de novo aquela mulher cheia de brilho e histórias para contar, se você tentar, de verdade, uma única vez e não der certo eu lhe apóio em todas as suas loucuras (até na de solicitar 5 tipos de sucos diferentes num único dia e devolver cada um deles 5 vezes com uma desculpa diferente).

Já perdemos demais este ano, então para este segundo semestre, que começa no domingo, nos faça ganhar!

 Li é genérica, administradora, família e quer seu 2.011 de volta.

Sobre Corrupção

Há algum tempo as mídias de massa vêm falando e denunciando a corrupção em nosso país. Claro que parece que a corrupção está mais evidente depois da denúncia, semana passada, feita pelo Fantástico, até mesmo pelo alcance que o programa tem.Ponho-me a pensar: desde menina (6 ou 7 anos) vejo essas coisas na TV, vejo as pessoas criticando e dizendo frases de efeito do tipo: “Alguém deve fazer algo a respeito!” – “Vote consciente!”. Ok! Isso é importante, demonstra sua consciência (?) política. Por outro lado, relembro de minha educação, e sei que transferir a responsabilidade para o outro é muito cômodo, pois estarei me eximindo de qualquer culpa.

Reflita comigo e veja quantas vezes num dia ou numa semana nos corrompemos ou corrompemos alguém.

Não me apedreje, ainda! Pois, tenho certeza que o amigo leitor está pensando que estou louca fazendo acusações desta maneira. Pois bem, você estaciona seu carro em vagas destinadas a idosos ou deficientes, sendo que não pertence a nenhum destes grupos ou tampouco traz consigo uma pessoa nestas condições? Já recebeu troco a maior e ficou calado? Joga lixo nas ruas (bituca é lixo)? Utiliza sinal clandestino de internet ou TV a cabo? Compra filmes e jogos piratas? Compra produtos importados muito mais baratos do que a média de mercado e não sabe a procedência ou se a empresa/vendedor é idônea? Utiliza o expediente para resolver problemas pessoais, “por baixo dos panos”? Pede nota fiscal a maior para reembolso da empresa? Posso lhe dizer, que para mim, não há diferença entre essas atitudes, que de alguma forma lesa alguém, para as atitudes demonstradas na mídia. Quem rouba R$ 0,01 é capaz de roubar R$ 1.000.000,00, não tenho dúvidas.

Agora me diga: a responsabilidade é sua ou é de “alguém”? Se eu mudar o ser humano que sou, sou capaz de mudar o mundo.

Ouço dizerem que vão criar a Lei, o órgão ou coisa que o valha a fim de fiscalizar essas atitudes e me pergunto se não seria mais correto e eficiente pensarmos em educação e valores éticos/morais?

Eu ia escrever que é preciso educarmos nossas crianças, mas vi que mais uma vez estaria postergando uma responsabilidade que é minha e é de hoje, portanto lhes digo: eduquemo-nos!

 

 

 

 

 

 

Li é Genérica, administradora e indignada.

De volta para casa

Há algum tempo eu tenho sentido necessidade de escrever. Não sei se foi o término da faculdade ou a saudade do clima gostoso do Genérico, que a faculdade me afastou um pouco. Falei com DD e este abriu as portas deste espaço novamente para mim.

Quero falar de tudo um pouco, do que vai na minha vida, dicas de organização, artesanato, finanças, atualidades, animais de estimação, enfim o que me der vontade. Para este (segundo) primeiro post eu quero contar um pouco de mim e o que me tornei.

Aos 26, por encontros e desencontros na internet caí no BDL, um grupo musical que nasceu no mesmo ano que eu, que eu já conhecia sem ser fã, porém o que me motivou a continuar naquele espaço, visitá-lo todos os dias, comentar e interagir com os demais leitores foram os textos, causos e poesias ali escritos. Cada um a sua maneira com algo muito bom a dizer. O espaço dos comentários ficou pequeno para nossa algazarra. DD em sua generosidade criou o nosso espaço e convidou cada um a dar a sua contribuição. Escrevi um pouco por lá, porém o ingresso na faculdade e a rotina do trabalho, infelizmente, não me permitiram mais continuar em contribuição assídua.

Aos 31, tornei-me administradora com ênfase em finanças, casada há 2 anos, 4 gatos, um cachorro e apaixonada por organização e afazeres da casa.

Próximo aos 32 pretendo ser uma ‘escrevinhadora’, muito por vontade e muito por orientação/bajulação de um grande amigo Genérico. Pretendo manter um ritmo constante de escritos, porém ainda sem temas pré-definidos, porque afinal pode acontecer alguma coisa engraçada e eu resolver contar. Quem deixaria de contar que seu gato mais novo caiu dentro do vaso sanitário às 6:00 enquanto seu marido fazia seu xixi matinal em troca de um tema pré-definido e menos tragicômico?

                                                                    Jack: campeão em mergulho matinal em vaso sanitário.

*Li é Genérica, mãe de gato e cachorro e administradora