#prapensar

wdoug

 

“Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as porcentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.”

Charles Bukowski

Atire a primeira pedra…

Blogenericoblog1

Todo mundo tem suas manias, eu tenho as minhas. Mania de mexer no cabelo de 5 em 5 minutos, falar alto, encarar quem me olha demais. Mania de pensar demais em você, de acreditar em horas iguais, de ficar imaginando as coisas antes de dormir, mania de rir por bobeira e chorar de nervoso, mania de escutar uma música e ficar me imaginando nela, mania de mudar de humor constantemente, mania de ver minha vida como se fosse um filme – como se ainda fosse ter um final feliz -, mania de ter medo de tudo, de falar o que eu sinto e de te perder. Mania de pensar no que já fiz e repetir tudo, mesmo que me arrependa.

Tati Bernardi

Olimpíadas 2012 – Os 190 milhões de técnicos

Somos um país engraçado: pouca tradição em esportes olímpicos e com algum destaque de tempos em tempos em determinada modalidade. Ora foi Robson Caetano, ora foi a seleção masculina de basquete de 1984, ora a seleção de vôlei com a era Bernardinho, ora Cielo e Cia na natação, enfim nunca houve constância e também não acho que num país onde falte tanta coisa e tantas outras são ceifadas por mãos inescrupulosas que deveriam ceder possamos nos tornar potência sequer numa única modalidade olímpica.

Os atletas que se destacam o fazem muito por esforço pessoal e uma grande parcela de destino, já que nossas escolas não conseguem desenvolver o potencial de nenhuma promessa dos esportes.

Fabiana Murer, atleta do salto com vara, que desconhecíamos até a sua chegada, não saltou nas provas classificatórias e tem sido alvo de críticas e piadas maldosas. Como alguém que nunca esteve numa pista de atletismo, não sabe sequer as regras do esporte ou de qual material o equipamento para a prática daquele esporte é feito pode ser tão duro nas críticas? Não sei se Fabiana, fez certo ou errado em não realizar o salto, mas tenho certeza que ela tomou esta decisão baseada na sua visão da realidade naquele momento. Se o vento também soprava para as demais atletas e estas conseguiram saltar, ótimo! Talvez tenham tido melhores condições, físicas, psicológicas, equipamentos, percepção, etc, de realizar o salto. Ir até o rodapé de uma notícia ou à página da atleta numa rede social criticá-la e fazer chacota é fácil quero ver quantos estão dispostos a realizar um dia de treinamento com ela e sentir sua rotina árdua, ou ainda, sonho com o dia que estes críticos cobrarão, com igual fervor, dos reais responsáveis por nossa participação ínfima no panorama mundial dos esportes. Claro que isto não será feito, pois ainda vivemos a política do pão e circo e muitos aplaudem, acham que seus atos diante uma urna, ou ao pedir “aquele favor” ao político amigo não faz mal nenhum.

Retirem suas vendas, tomem as rédeas do que vai na política, economia, educação, esportes, desenvolvimento, etc de seu país. Quantas cidades podem contar com escolas que incentivam os esportes ou com cursos específicos oferecidos e incentivados pelo governo? Quantos desses 190 milhões de críticos da Fabiana (que é ‘bola’ da vez) já cobraram das autoridades maior empenho no oferecimento do desenvolvimento esportivo. Muitos me dirão: Ah! Mas na minha escola pública nós temos aula de educação física. Sei, onde as atividades desenvolvidas durante o ano letivo e todo o período da vida acadêmica, até o ensino médio, são futebol para meninos e vôlei para meninas? E o handebol, o basquete, a ginástica artística, o atletismo (e suas milhões de modalidades), a natação, o hipismo, o hóquei sobre grama, a esgrima e tantas outras modalidades que nem conheço?

Portanto, enquanto não abrirem a boca para reclamar o que lhe é de direito e a quem possa lhe oferecer, abstenha-se de criticar Fabiana Murer ou qualquer outro atleta da federação brasileira.

 Li é genérica e não gosta de cobranças infundadas.

Médicos… Bah!

 

 

Notas de esclarecimento pré-texto: este texto não é contra os médicos e tampouco insistirá para que você, leitor, deixe-os de lado.

Ontem, antes de dormir liguei a TV num canal qualquer que só passa notícias. A única notícia que gritou alto em meus ouvidos, cérebro e entranhas foi a de que o CREMERJ (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) proibiu que os médicos realizem partos em casa.

 Céus! Quem são eles para decidirem o que vai no corpo de uma gestante? Alguém se lembrou de perguntar aos protagonistas – mãe, bebê e, em alguns casos, familiares – o que eles querem?

 Estou decidida, há muito, não ter filhos. Mas, se amanhã ou depois eu mudar de decisão quero ter o direito de escolher, dentro das possibilidades existentes a que melhor se encaixa às minhas verdades, minhas crenças e, principalmente, ao que meu corpo clama. Desculpas de que o cordão está enrolado no pescoço, você não tem força, você é velha ou qualquer outra com certeza não serão aceitas facilmente. Como ando muito cansada para discutir e sei que uma gestante de 40 semanas (em média) terá menos força ainda para lutar, estas decisões acabam por me fazer adiar indefinidamente o plano maternidade.

 Ouvir é uma arte, e, não sei por qual motivo os médicos tem-se esquecido cada vez mais desta habilidade.

Ontem fui a uma consulta que estava marcada há 21 dias para tentar resolver um problema que me incomoda há cerca de 5 anos. Já devo ter consultado mais de 10 médicos diferentes tentando solucionar este problema. Todos, categoricamente, ao “ouvirem” minhas queixas afirmam ser um fungo comum, porém ao fazerem os exames, e não encontrarem o tal fungo ou ignoram minhas queixas ou simplesmente dão de ombros e me dizem que é meu e pronto. Quando marquei a consulta de ontem pensei que seria diferente, afinal o profissional consultado além da especialidade relacionada ao meu problema é homeopata. Homeopatas em geral ouvem os seus pacientes. Em geral. Relatei minha peregrinação nesses 5 anos e toda a particularidade da minha “doença”. Após exame visual o veredicto: é apenas uma alergia. Ok! Eu sou apenas uma administradora, mas convivo com meu corpo e minhas trocentas alergias (se bobear sou alérgica a mim) há 32 anos e sei que o problema que relatei não é uma alergia. Eu aceitaria até ouvir um “eu não sei qual é o seu problema, consulte outro colega da mesma especialidade ou procure esta, aquela e aquela outra especialidade”, mas ouvir chutes e qualquer resposta só para se livrar do paciente… não! Continuarei minha busca da resposta, enquanto isso vou estudando e analisando minhas reações a cada coisa que penso estar relacionado.

 Qual a semelhança entre os médicos que eu consultei (com exceção de um, que não atende mais a especialidade que necessito e que foi o único que me ouviu) e os demais que apóiam a decisão do CREMERJ? Tudo! Tornaram-se robóticos e mecânicos e acham que estão lidando com um equipamento quebrado, onde basta ler o código de erro e substituir a peça defeituosa.

Você pensa em ser médico? Comece desde já a exercer o ouvir, porque escutar é fácil. De nada adianta os 30 diplomas, especializações, atualizações e a sua formação básica na melhor escola de medicina do mundo se você não pensar de verdade naquele indivíduo que está sentado à sua frente.